Estaciono o carro.
Jeremy tocando em modo repeat.
Espasmos cardíacos e garganta
seca. Coloco uma bala na boca.
Desligo o carro e os espasmos aceleram.
Tiro o cinto
No retrovisor nada.
Olho pro relógio no pulso. Pro
relógio do som. Nem deu um minuto. Olho no retrovisor de novo.
A música recomeça. A cabeça vai
longe, puxo ela de volta.
Olho pro pulso, pro painel. Olho
pra frente. Olho o celular.
Olho pro retrovisor, uma sombra,
um contorno.
Você abre a porta. Senta no banco
e me olha.
Escancaro um sorriso quando bato
no seu. Abraço curto.
Nos meus olhos palavras não
ditas.
Você percebe algumas.
Coloco o cinto. Você repete.
Ligo o carro. Ando. Silêncio.
Mãos suadas no volante. O
semáforo fecha.
Te olho de canto. Você ri.
Estaciono o carro. Te espero na
calçada.
Caminhamos pela rua.
Digo qualquer coisa. Você
responde.
Peço para você parar com a mão.
Tem carro vindo.
Atravessamos. Entramos no bar.
Mesa para duas.
Você olha o cardápio. Eu chamo o
garçom.
Peço vodka e cerveja.
Anestesia. Pergunto algo. Você disfarça.
Mãos se tocam. Os espasmos
voltam.
Olho a lua. Faço uma prece.
O garçom volta. Você diz algo.
Meus dentes derramam da boca.
Outra dose. Outra garrafa.
Revelo um segredo. Você ri.
Ouço tambores. Uma bateria.
Aproximo a cadeira. Gravidade.
Buraco negro.
Beijo tua boca. O tempo para.
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